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De amores e desamores

Já disse o poeta: há de ser eterno enquanto dure…

Mas, infelizmente, muitas vezes é mais eterno para um do que para o outro. E, quando ele ou ela se despede, para ir ou não ao encontro de um novo amor, quem fica para trás vê-se diante de uma enorme e dura tarefa: sentindo-se tão só quanto sem água em um deserto, matar o amor vivo no coração e viver o luto desse fim.

Matar o amor, arrancar do peito a flecha de Cupido ali instalada e a gosto, significa sentir que arranca um pedaço do próprio coração.
Tirar do peito um amor é o mesmo que viver o luto de uma pessoa morta, que se sabe viva e que se tem a esperança de voltar a ter. Então, é preciso também matar a esperança, que, na linguagem popular, é a última que morre.

O agravante é que muitas vezes se vive essa dor em meio a pessoas bem intencionadas que dizem: Foi melhor assim! Esqueça dele (ou dela)! Não merecia você!. É um sem fim de frases prontas, que não confortam nem animam.

Parece que viver a tristeza é até ofensivo para muita gente à volta, que esperam que todo mundo esteja sempre rindo, mesmo que falsamente.
Hoje, além do mais, confunde-se tristeza, que é um movimento de vida, de elaboração da dor, com depressão, que é como se fosse seu oposto — a enfermidade que dificulta ou impossibilita elaborar a dor. Uma, precisa de lágrimas e suspiros, pois não há remédio. Outra, de medicamentos. Ambas podem se beneficiar de psicoterapia.

Elaboração exige sentir, reconhecer, aceitar, em um processo que não ocorre de um dia para outro.

Antigamente, quando morria alguém da família, os familiares vestiam roupas pretas durante um ano. Não se ouvia rádio, não se ia a festas. Um ano inteiro de recolhimento, até que, celebrada a missa de um ano, a vida voltava ao chamado normal. Viúvas passavam ainda um tempo de meio luto, com roupas escuras, embora não pretas.

Era uma forma de mostrar ao mundo a tristeza, mas, ao mesmo tempo, de estabelecer um retorno para a vida cotidiana.
Isso já não se usa mais. O luto é vivido de outras formas,embora a dor seja a mesma.

Mas, ontem ou hoje, não aprendemos ainda a respeitar a dor do amor vivo, que parece matar o coração.

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Vera Lucia Vaccari
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