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De machismo e de hienas

Um dos momentos mais duros e doloridos do processo de psicoterapia de mulheres que foram abusadas na infância ocorre quando se sentem seguras para abordar uma dor tão ou mais pungente do que os momentos do ato abusivo. É quando contam acreditar que suas mães sabiam do que ocorria – ou tinham todos os elementos para desconfiar – e nada fizeram. Como se não se importassem.

Como mulheres, defendem que as demais deveriam importar-se o suficiente para impedir a repetição dos abusos.

Lembrei-me disso ao ouvir o comentário do atual ocupante do Planalto sobre uma jornalista.

Desculpem-me. Mas, mais do que as palavras chulas de quem é mestre nelas, o que me chocou foram os risos femininos da claque presidencial. De alguma forma, essas mulheres que riam de palavras ofensivas a outra mulher pareceram essas mães que abandonam suas filhas às presas das hienas, sem estender uma mão protetora diante delas.

Sei que vivemos em uma sociedade machista – homens e mulheres educados com as mesmas crenças destrutivas. E sei também que cabe a mulheres e homens a luta para a construção da equidade entre os gêneros.

Mas, no coração, fica a ideia de que a quem tem o mesmo corpo (nele, o buraco mencionado na fala digna do atual presidente) caberia ser mais solidário. Não é preciso ser feminista para sentir o menosprezo à figura da mulher.

Essas participantes dessa claque, se não por suas filhas, irmãs, mães, amigas, parecem não conseguir perceber que riem de si mesmas, do vilipêndio de seu corpo e de sua sexualidade. Parecem pensar (e agir) com base na ideia de que a quem se junta a hienas só resta jogar-se em busca de carniça.

Parece que estamos ainda muito mais próximos da Alemanha, anos 1920, do que do mundo ocidental, século XXI.

Deus nos ajude.

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Vera Lucia Vaccari
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