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Sempre a postos!

Trocava ideias com uma colega por telefone a respeito de um texto sobre diminuição ou falta de desejo sexual masculino. Ao meu lado, um orientando revisava seu TCC, mas parece que a conversa o distraiu, pois, mal desliguei, perguntou se conversávamos sobre algo real, pois, com seus amigos, o papo era sempre sobre a falta de interesse sexual das mulheres. Dos homens, jamais.

Essa visão está associada ao machismo, ainda presente na nossa sociedade, apesar dos muitos avanços das lutas pela equidade – a igualdade de direitos entre diferentes. Para entender o que é equidade, basta pensar que as pessoas têm necessidades diferentes, que devem ser atendidas.

Esse machismo, embora atribua privilégios aos homens, também é causa de grandes sofrimentos. Há, por exemplo, uma ideia, dividida entre homens e mulheres, de que o apetite sexual do homem é inesgotável. Ou seja, o pênis deve estar sempre a postos, apesar das preocupações do homem diante do cotidiano, do cansaço, das doenças, das dores emocionais.

Não, dores emocionais, não, pois os homens não têm as mesmas emoções que as mulheres, segundo essa crença machista… Por isso, não podem chorar, não podem expressar emoções, não podem se abraçar… Se um beijar o rosto do outro, então, será um Deus-nos-acuda.

Homens têm de estar sempre a postos, sempre dispostos a fazer sexo. E o machismo, aliado ao lucro, produz a insegurança, seja com o próprio pênis, seja como desempenho. Na internet, tratamentos para aumento do pênis são apresentados com fotos de grandes “vitórias”. Os laboratórios que fabricam e comercializam potencializadores de ereção acumularam – e continuam a acumular – grandes fortunas. São medicamentos utilizados por homens mesmo quando desnecessários, seja “para garantir”, seja para poderem se gabar de desempenhos ilusórios. Mulheres vivenciam profundas dores emocionais por se sentirem “menos mulheres” pelo fato de seus companheiros não demonstrarem por elas um desejo torrencial e inesgotável, como descrito em livros e revistas.

Mas, com tudo isso, os programas de educação sexual são muito pontuais, quando existentes. As pessoas ainda acreditam que falar de sexualidade é ensinar a fazer sexo – e não falar de amor, prazer, preconceitos… Nenhum programa de educação sexual que se preze deixa de se basear na construção de novos relacionamentos, na superação do machismo, na valorização de todas as pessoas e formas de vivenciar a sexualidade.

E ainda não encontramos programas de educação sexual que cheguem também a adultos. Afinal, se pais e mães não receberem também informações, compreendendo o que um programa de educação sexual pode fazer para as relações humanas, continuarão a esperar a atuação da escola que, por sua vez, parece ter medo do posicionamento das famílias. Escola deixa para família e família deixa para a escola. E viva o jogo de empurra, que garante que nada mude!!!

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Vera Lucia Vaccari
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